sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Garras afiadas, aí vou eu

Por que tenho que pensar no ano que passou? Por que? Por que???
Não quero! Não quero lembrar que meu extrato anda no balancê, balance enquanto as roupas que comprei no início do ano não me servem mais.
Não quero! Não quero rememorar os fracassos amorosos com os falecidos que me fizeram engordar mais ainda comendo chocolate
Não quero! Não quero mais um dia sequer de academia voltando para casa andando igual macaco pelas dores nas coxas.
Não quero! Não quero ser chamada de tia por todas as criaturas desconhecidas que se aproximam pedindo um trocado (e juro que um deles tinha lá seus 40 anos).
Não quero! Não quero mais pensar no príncipe que se chama sapo e que me trocou por uma mulher de 20.
Não quero! Não quero ver meu moletom que já anda só dentro de casa, meu melhor amigo, mas que me deixou em maus apuros.
Não quero! Não quero saber que mais um ano se foi e com ele cheguei aos 30 anos. Quantas velas num só bolo!
Não quero ter que pensar em nada de ruim que passou.
Mas quero pensar no que vem, nos amores possíveis, nas gargalhadas, nas viagens, nos meus novos inimigos bombons, varizes e moletom. E quero, sobretudo, pensar que o ano é todinho meu, só meu e que ninguém tasca. Garras afiadas, aí vou eu.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tia é a vovozinha

Quando um cidadão – se é que chamo aquele projeto de gente de cidadão – lhe vira e pergunta: que horas são, tia? Só vejo duas alternativas em minha frente: empurrar o dito cujo ônibus abaixo ou gritar a todos no ônibus (e às redondezas que podem ouvir o grito a um grande raio) – tia é a vovozinha!!!

Como a primeira alternativa só daria certo nos meus sonhos, fui de segunda. A vergonha de todos virados para mim foi grande após o berro, mas no meu coraçãozinho, foi ainda menor que constatar comigo mesma que não sou mais chamada de menina, nem de moça, nem de senhorita, que dirá de donzela (até brotinho me deixaria feliz).

Tudo bem que a gente envelheça, mas perguntar as horas não poderia ser menos doloroso?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mais vale um calo no pé do que um homem voando

Minha mãe sempre dizia: ande sempre arrumada, você nunca sabe quando encontrará o amor da sua vida. É, devia escutar mais minha mãe. A todos agora digo, nunca andem de moletom! Por mais que seja confortável e pegue um vento agradável, não usem fora de casa. O mesmo digo para tênis que perdeu a validade. Juntar os dois, então, jamais! Pois é, por que não pensei nisso antes?

Era uma tarde qualquer, dessas que vem e vão sem a gente olhar para o calendário. Andava mais uma vez em busca da comida para o esformeado e fresco Phil (por que meu peixe não poderia se contentar com um paladar normal?). Mais parecia um mendigo pedindo de esmola as comidinhas para animais. Mas quem afinal me encontraria naquela hora, naquele lugar? É, se erro matasse, já estaria na vala (e vestida perfeitamente para isso).

Juro que vi holofotes e anjos cantando quando ele entrou na loja. Era a segunda vez que o via ali e como ele era lindo! Eu, por outro lado, comecei a me deparar com a situação em que estava com meu moletom cinza (ou seria azul?, talvez preto) velhinho e meus tênis puro barro. O que fazer? finalmente falar com ele, me apresentar como a doida esmolê que o achou bonito ou me recolher? É, a última alternativa me levou à porta e dela para casa. Lá ficou o bonitão mais uma vez e junto dele minha chance de um romance.

Moletom, nunca mais! Antes andar com calos no salto alto e varizes pequenas nas pernas do que a combinação afasta marido!

Ah se ouvisse minha mãe...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Qual é a sua palavra?

A impressão é que quanto mais envelhecemos, mas nos envolvemos com coisas antes  ditas banais. Agora pareço uma esponja absorvendo tudo por onde passo. Se uma pessoa chora ao meu lado, lá estou eu enxugando minhas lágrimas (e isso vale para estranhos também). Se alguém sorri por uma idiotice que seja, lá está meu rosto modificado. Será que com a idade a sensibilidade vai aumentando?

Escutar Damien Rice e não chorar ou ver romances e não me envolver é sair do meu eu. Àqueles que são como eu digo logo cuidado, porque o estômago é fraco! Evitem ao máximo romances – digo por experiência – pois além de nos aproximarem de uma ilusão em relação a contos de fadas e príncipes encantados, nos faz gastar mais lenços (já viu como estão caros?) e remédios para dor de cabeça. Mas se não resistem,  o façam sem medo.

Sabe como é mulher quando descobre um filme novo? Divulga até para o porquinho da índia. Pois bem, fui a sorteada para a indicação de “Comer, rezar e amar”. Como a expectativa era grande em virtude do roteiro (paralelo, diga-se de passagem, e surreal descrito pela afobada amiga), fiquei um pouco decepcionada.

Mas como diria minha avó, de tudo se tira um proveito (ela se referia na época a visitar pessoas para afanar comida, mas tudo bem). E no meio do filme, uma frase me tocou: qual a sua palavra? Qual a minha palavra...O que o define, o que o movimenta, para o que você vive? Faz uma semana que vi o bendito filme, mas ainda não descobri. Passei pelas plavras fome, dieta, amor, paixão, alergia, medo até chegar na da vez: procura! Sempre em busca de algo, de mim mesma, de uma resposta. Se é essa a minha palavra, não sei, mas que adorei o propósito de encontrá-la, sem dúvida alguma. Qual seria a sua palavra?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O monstro da Farmácia

Tudo em volta silenciava. Era chegada a hora da verdade. De um lado, eu. Do outro, a balança. Um mês depois de iniciada a nova dieta, foi a hora de colher os louros da vitória. Fechar a boca contra doces, churrasco e pães não foi fácil, mas persisti até o fim para ter de volta meu corpinho de 20 anos. Tanto sacrifício, tantas tentações superadas, mas seria tudo recompensado naquele instante.

Naquela hora nem mesmo as madrugadas em frente à esteira, as veias quebradas e os braços sem ação (já tentou beber água depois de fazer flexão por 30 minutos?) me perturbavam mais, tudo era festa diante daquele objeto diante de mim!

Ali, frente a frente, o mundo parecia aguardar a pesagem, e para não decepcioná-los, subi em direção à lona. Ao abrir os olhos a poesia foi deixada de lado, assim como os meus bons modos e toda a educação que meus pais haviam me dado. 

Com 1kg a mais, despejei contra aquele monstro à minha frente todo meu vocabulário – e não foi o que aprendi na escola. O que se viu dali era proibido para menores idade ou magras em forma que jamais compreenderiam a luta de uma mulher de 30 anos contra seu rebelde corpo. Abaixo a balança!

domingo, 14 de novembro de 2010

Se quiser um filho, adoto muito feliz

Quando tiver filhos, com muito gosto terei o prazer de cortar suas unhas, escolher suas roupas e decidir o que querem comer, pelo menos até terem idade de escolher por si só. Mas eu disse filhos!! 

Ainda não compreendo porque os homens procuram as mulheres achando que ganharão uma mãe.  Não quero um namorado ou marido que tenha as mesmas necessidades de uma criança,. Mas Roberto não entendia meu português - muito menos o femininês.

Meu ex semrpe foi muito dependente. Tudo eu devia lembrar, dar conta, zelar. Ora, paciência tem limite e pavio muitas vezes curto. Terminamos, entre outros motivos, porque ele não dava conta nem de sua vida, que dirá de uma vida juntos. E tinha razão ao apontar um certo trauma materno, tanto foi que hoje o encontro de volta à casa de sua mãe (reforço aqui o termo ex-sogra muito válido também)

Cuidar de alguém é dever! Tratar bem é uma lei. Mas abusar de uma namorada jogando em suas costas todas as responsabilidades é falta de verniz na cara (óleo de peroba é uma boa opção e muito mais barata!)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ex-namorado: esse nome não é à toa


Para mim a palavra ex define tudo. Um ex-emprego não é sequer lembrado. Um ex-bairro, idem. E o mesmo se diz de um ex-sapato. Pois é, não seria diferente com um ex-namorado. Para mim a palavra nem precisaria de um hífen. A deixaria largada assim, sem amparo. Afinal, para que sustentar quem não me serviu de apoio?
Não sou radical, muitos até me chamam de doçura e fofinha (esse último suspeito que pelos quilos a mais, mas vá lá), sou apenas uma ex-sonhadora-romântica-que-acreditava-em-príncipe-encantado. O que saiu desse trauma que ainda não pode ser chamado de ex, foi um sapo cururu que perde cabelo em grande velocidade e engorda a passos largos.

É fato que pelo menos com eles aprendi que mais vale dois pássaros voando que um sapo na mão. Tão bonito vê-los lá longe, no horizonte, clamando por comida de estranhos e atenção. Eu que nunca fui muito chegada a brejos fico aqui com meu saco de milho esperando quem sabe um galo para meu terreno.

sábado, 6 de novembro de 2010

E o tempo levou...

    Saber que não há opção de roupa por não a termos em nosso armário até que vai, mas ter a certeza de que a que as que temos não nos servem, aí é para chorar!
    Saía apressada para a reunião de trabalho – mais uma vez entro para o Guiness – na pressa, vesti a única calça social que vi ao alcance da mão. Nunca mais, lembre-se, nunca mais faça isso. Melhor perder 5 minutos em busca de algo que me sirva do que um dia inteiro tentando andar como miss para que não descubram um rasgo do tamanho da Amazônia na coxa direita da calça.
    A causa posso jogar nos meus 3kg a mais conseguidos sem muito custo dos 28 aos 30 anos. Perder é para os fracos, dizem por aí. Só esqueceram que tudo depende do que vem depois do verbo!
    Perder peso é sim um esporte que deveria ser reconhecido internacionalmente. A força e o treino necessários são dignos de uma maratona! Tudo bem que eu não seria uma atleta profissional, mas pelo menos ganhar uma medalha de participação eu ganharia!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Algodão é doce, mas não é mole não

Ao chegar aos 30 anos a maioria dos convites resume-se a saídas com casais amigos ou festas - dos filhinhos dos casais amigos. Se você pensa que a pressão de ter que segurar uma vela de sétimo dia a cada encontro com número ímpar de pessoas é grande, imagine chegar desacompanhada em uma festa em que já existam frutos dessas bem-sucedidas relações?

Dos pais aos avós passando pelas próprias crianças e até os palhaços animadores das festas (esses com suspiros aliviados) perguntam onde estão meus filhos. - Estão na Europa em viagem de estudo com o pai, respondi certa vez. Acho que meu tom de voz não deve ter sido ironico o suficiente, pois não é que teve quem me perguntasse como estava o clima por lá? Frio, muito frio!!

A vontade de responder: é da sua conta? é grande, mas mamãe me deu educação demais e me abstenho. Mas a vontade...

E nem cito a quantidade de rostos que misturam surpresa e pena dos que me questionam porque ainda não casei (posso dar a mesma resposta dos filhos?). O jeito é me atracar com algodão doce e balinhas coloridas que me fazem lembrar porque mais uma vez aceitei esse ingrato convite....

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sabemos que chegamos aos 30 quando...

...

Meias de contenção para evitar as veias quebradas não são mais tão feias.
A prima de oito anos desconhece Sandy e Júnior (tudo bem, não perde muito, mas...)
Começamos a encolher a barriga para tirar foto.
Nosso nome principal cai para segundo, após um terrível “Senhora”.
Não conseguimos sugerir mais que uma caminhada no parque como exercício.
Saídas só entre 20h e 23h e somente para cinema, teatro ou qualquer outro lugar que se possa sentar.
Batemos negativamente a cabeça quando vimos uma amiga suspirar pelo cara perfeito. Ah, já passamos por isso.
Trocamos baladas e rock progressivo por baladinhas na Antena 1 e pijama e sorvete na cama na sexta à noite.
Morremos de malhar em uma hora inteira de academia e não emagrecemos nem 100 gramas.
Sorrimos felizes da vida quando recebemos cantada de um homem dois anos mais novo (ou que achamos ser mais novo, ou fingimos ser).
Andamos de regata só às terças, sextas e domingo. Dias após a academia.
Conhecemos toda a linha de anti-rugas (não usamos, mas é sempre bom ter uma carta na manga).
Sabemos indicar remédios para cansaço, estresse e dor em qualquer lugar que se imagine.
Homens não são mais incógnitas, nem inimigos, mas não tanto amigos.
Nosso coração já sabe amar. Ou pensa que sabe. Ou quer saber...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Platão me deve uma

Amor platônico é para odorescentes (já reparou que eles todos têm perfumes muito peculiares?). Aos 15 anos, quando encontrava meu professor de física nos corredores ou o vizinho bad boy em sua motoca, suspirava. Não sabia que nunca os teria. Para mim tudo era possível (também pensava que poderia ser astronauta e presidente dos Estados Unidos, portanto...). E quem estava disposto realmente a contestar isso a uma jovem com coração apaixonado que ainda não sabia dos dissabores do mundo adulto?

James - que de Dean só tinha mesmo o nome -  era o tal vizinho bad boy. Dividíamos apenas o muro de nossas casas, pois ele sequer sabia da existência da vizinha com rosto cheio de espinhas e 10 anos mais nova. O espiava da janela do meu quarto e as poucas vezes que conseguia vê-lo eram ouro para o recheio do meu diário. Diário que foi ficando inchado de tantas fotos tiradas (quase podia montar um quebra-cabeça, pois cada foto tirada às escondidas era um pedaço de nariz, da testa, das pernas que juntando mais dava um monstro que meu amor platônico) e declarações em papeis de carta.

No dia em que resolvi me declarar tomei banho com o perfume da minha mãe (o que provocou uma irritação ainda maior nas minhas colegas espinhas). Porém, aqueles segundos seguintes mudariam minha visão de relacionamentos. Antes de sair de casa a última espiada pela janela causou uma das maiores dores do alto dos meus 15 anos. Na garupa de James, uma bruxa com vestido roxo, verruga no nariz, cabelos quebrados e dentes faltando. 

Ok, ela não era assim, mas essa foi a cena que preferi deixar em minha memória, então não contrariemos. E daquele dia em diante resolvi gostar só de quem gostasse de mim.
   
Quem disse que aprendemos com a dor pode até estar certo, mas nunca falou a verdade sobre a teimosia humana. Mesmo sofrendo, e 15 anos passados, ainda me vejo como a menina de 15 anos que acredita em certos errados como meus falecidos ex-namorados. Tudo bem, não tenho mais tantas espinhas, mas continuo a apostar em erros achando serem acertos. 

Quem sabe daqui a alguns anos consiga acertar finalmente e encontrar um verdadeiro amor correspondido. Só espero que até lá ainda haja partidos disponíveis (e que consigam ainda amarrar o calçado do tênis ou lembrar do próprio nome).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Post-it dia 21

Post-it para colar na geladeira: Nunca mais misturar a dieta da beterraba com a do limão. Preferir emagrecer com o estômago no lugar do que vê-lo se misturando com órgãos que nem estão a seu alcance! 

Post-it para banheiro: Comprar um perfume mais potente!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Estado civil: feliz!

Você tem que casar logo, já chegou aos 30! Com que idade vai ter filhos? Como vai conseguir se abaixar para brincar com eles? Como irá carregá-los de um lado para outro? Ok, pode parar! Serei uma mãe ou um elástico ambulante? Recado para mim mesma (RPMM): relembrar esse instante no gravador (RPMM 2): Na próxima vez que for convidada para uma festa de família escutar a gravação e entender que não sou uma má pessoa ao não querer participar de certos eventos familiares.

Minha família é ótima, principalmente quando não me olha nem faz de mim o centro das atenções. Sabe aquela penca de tios infelizes, mas casados, de primos entristecidos, mas casados (tirando a Debby que exala uma perfeição por todos os poros e fios de cabelo) e de avós e tios-avós que ou se preocupam muito com meu futuro ou apenas querem mais um sobrinho para engordar como leitão. Minha mãe... Bem, saiu a cópia de todos os demais, mas sei que só quer o meu bem e um bem para mim. Já meu querido pai se omite de tudo e de todos (no fundo é o mais feliz).

Chegar em festa de família desacompanhada é o mesmo que ter um holofote em mãos e berrar: - Ei, olhem para mim, estou solteira aos 30 anos.  (Suspiro).Todo convite que minha mãe me faz penso em recusar, mas o coração mole fala mais alto. Na próxima amarro o coração e ele fica durinho. Melhor que estar como agora, rodeada por todos questionando porque ainda estou solteira.

Primeiro, por que devo explicações a alguém sobre meu estado civil? Segundo, não é porque estou assim há algum tempo que vou me casar com o primeiro que minha tia Rita apresenta (e olhe que até o S. Alfredo de 70 anos já esteve na fila). Estado civil? feliz e pronto! Essa é minha resposta oficial de agora em diante. Aliás, até acho que poderiam acrescentar essa opção nos questionários de empresas, lojas. Por que não? Estado civil: FELIZ! E ainda desenho uma carinha na frente para reforçar.

Claro que gostaria de ter encontrado meu grande amor, mas a culpa é minha se meu cupido é lerdo ou míope? Prefiro segurar uma placa de solteira aos 30 do que entrar de mãos dadas novamente com alguém como o Beto, cof, cof, Roberto, nada de Beto, Roberto! O falecido, melhor dizendo. Ao final das festas não eram eles os trocados ao cair da noite mesmo. Quem disse que é bom ter boa memória? PMM 3: Parar de comer amendoim!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Peixe pra que te quero!

Qual o twitter do seu peixinho? Sua comunidade tem dono? Há meia hora em frente ao espelho tentava treinar a minha pontaria em cantadas, mas já há algum tempo sozinha acho que havia me enferrujado um pouco além do desejável.

Desde que vi aquele Deus grego na loja de comidas para animais (tudo bem, o cenário não era nenhum conto de fadas, mas pelo menos estava limpinho aquele dia) pensava numa estratégia para me aproximar dele, já que o fracasso da última vez nem merecia lembrança.

Saí atrasada do trabalho onde a minha querida e excêntrica chefe berrava com a manchete da matéria da colega (alguém precisa avisá-la que se todas as jornalistas dela ficarem surdas ou insanas, terão mais dificuldade ainda de cumprir o dead line). Espremida no vagão do metrô, entre um gigante de mais de 2m e um casaco ambulante (parecia ter vida com a idade aparente em cada perceptível pedaço que caía e o odor que exalava), listava em mente tudo que ainda tinha que fazer no dia: pegar o carro na oficina (já é sócio), terminar matéria sobre Mulheres em crise de idade (!), alimentar o peixe – oh, não!

Phillipe, meu peixinho, sempre foi exigente com comidas. Acho até que é genético, pois o que se sabe da mãe é que era de descendência francesa (alguns diziam até que fazia biquinho na hora de comer). Ele não aceitava nada de rações de segunda ou de água suja em seu aquário. Juro que sempre que o tentei enganar com uma comida mais barata o vi me observando com um olhar a la Kil Bill. Mas fazer o quê, gostava do bichinho então lá ia mais uma vez à loja careira da esquina.

Mas confesso que nunca gostei tanto do meu peixe e de seu gosto fresco quanto aquele dia. Mal entrei na loja me deparei com aquele ser alto, com olhos atraentes, boca atraente, postura atraente, sorriso atraente. É, ele era atraente, não havia dúvidas. Carregava um saco imenso de ração em um braço e posso dizer que nunca vi alguém tão sedutor com ração nas mãos. Quase atrevi sussurrar-lhe um “au-au” ao pé do ouvido, mas acho que não seria um bom início. Quem sabe no quarto encontro.

Não sei se ele me notou, mas com certeza todo o meu corpo o percebeu.
Passada uma semana, ensaio à frente do espelho, mais uma vez, o que falar quando o vir. Para quem não namora há mais de um ano, treinar é sempre bom. Será que será uma má ideia antecipar o "au-au" afinal?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...Salada mista

Ela sorriu para mim! Não, ela não sorriu para mim, ela sorriu de mim! O que foi isso, uma risada sarcástica? Juro que até ouviu uma gargalhada ecoando. Afinal, qual o problema dessas balanças de farmácia? Parece até que têm vida - e a vivenciam muito bem sorrindo dos nossos pesos a mais.

Mais uma vez estou cercada por mil receitas de dietas malucas para ver se meus quilos largam de mim e ocupam um corpo vizinho. Já falei que não tenho talento para boa samaritana de quilos nem para militante a favor de ocupação de gordura, mas eles são persistentes e não desocupam meu corpinho.

Sempre tive tendência para engordar. Nada do tipo exagerado, mas nem perto do mignon, talvez mais para uma picanha. Porém ao chegar aos 30 anos parece que o metabolismo passa os dias se espreguiçando numa rede.

Passo o dia regulando até as balinhas ingeridas (bala soft é uma boa pedida, mas cuidado para não engasgar), me esforçando naquela sala de sadomasoquismo (chamada também de academia de ginástica) e o metabolismo nessa demora para trabalhar! Que funcionário mais ineficiente!

Enquanto isso sigo na dieta da pêra, da maçã, melancia, chuchu, beterraba, coco. Ao final dessa salada ou saio colorida e mais nutrida ou serei mais uma da lista das mulheres frutas.Que tal uma Jaca com refrescância de hortelã ?(chiclete engana o estômago que é uma beleza).

domingo, 17 de outubro de 2010

Quando chegasse aos 30 anos....

Quando tinha oito anos escrevi num papelzinho como estaria nessa idade: casada com um príncipe apaixonante, com topete do Elvis (meu gosto musical sempre foi precoce), com três filhos, mas sem sinais de idade, de pernas para o ar, apenas aproveitando a piscina de dinheiro, morando em uma mansão com lindos carros. Era uma menina de boas intenções, mas de boas intenções meu futuro estava cheio e bem distante da realidade do papelzinho.

Cheguei aos 30. Encontrei muitos sapos na minha vida, mas nenhum príncipe. Não tenho filhos. Bem, se considerarem o meu peixe Phillipe, tenho um, é verdade. Não nado em piscina de dinheiro. Na verdade por conta das celulites gritantes, não nado nem em piscina infantil há uns seis anos. Pernas para o ar parece mais a definição da minha vida em época de fechamento da revista onde trabalho.

Tenho um carro popular sem ar-condicionado, mas moro na Mansão! Num condomínio chamado Mansão dos Sonhos. “Apartamentos pequenos, mas cheio de sentimentos”, era o slogan do aluguel. Até hoje procuro os sentimentos que devem estar perdidos em algumas das caixas amontoadas pelos corredores ou na boca do Ossudo – um cão sarnento que serve de vigia à noite (mais dorme do que vigia, mas fazemos isso pela autoestima dele).

No meu próximo papelzinho para daqui a dez anos estará escrito: Acompanhada (sem detalhes limitadores) por um homem respeitador, não necessariamente careca, mas não precisa ter a cabeça toda coberta, com sobrinhos visitando nos finais de semana, morando em um apartamento de mais de três cômodos, com carro que tenha ar-condicionado e finalmente voltando ao banho de piscina, pelo menos usando um maiô preto.

Menos ambiciosa, é verdade, mas pelo menos não sofrerei tanto quando vir o Ossudo de vigia na minha frente de novo na próxima década.