terça-feira, 19 de outubro de 2010

Peixe pra que te quero!

Qual o twitter do seu peixinho? Sua comunidade tem dono? Há meia hora em frente ao espelho tentava treinar a minha pontaria em cantadas, mas já há algum tempo sozinha acho que havia me enferrujado um pouco além do desejável.

Desde que vi aquele Deus grego na loja de comidas para animais (tudo bem, o cenário não era nenhum conto de fadas, mas pelo menos estava limpinho aquele dia) pensava numa estratégia para me aproximar dele, já que o fracasso da última vez nem merecia lembrança.

Saí atrasada do trabalho onde a minha querida e excêntrica chefe berrava com a manchete da matéria da colega (alguém precisa avisá-la que se todas as jornalistas dela ficarem surdas ou insanas, terão mais dificuldade ainda de cumprir o dead line). Espremida no vagão do metrô, entre um gigante de mais de 2m e um casaco ambulante (parecia ter vida com a idade aparente em cada perceptível pedaço que caía e o odor que exalava), listava em mente tudo que ainda tinha que fazer no dia: pegar o carro na oficina (já é sócio), terminar matéria sobre Mulheres em crise de idade (!), alimentar o peixe – oh, não!

Phillipe, meu peixinho, sempre foi exigente com comidas. Acho até que é genético, pois o que se sabe da mãe é que era de descendência francesa (alguns diziam até que fazia biquinho na hora de comer). Ele não aceitava nada de rações de segunda ou de água suja em seu aquário. Juro que sempre que o tentei enganar com uma comida mais barata o vi me observando com um olhar a la Kil Bill. Mas fazer o quê, gostava do bichinho então lá ia mais uma vez à loja careira da esquina.

Mas confesso que nunca gostei tanto do meu peixe e de seu gosto fresco quanto aquele dia. Mal entrei na loja me deparei com aquele ser alto, com olhos atraentes, boca atraente, postura atraente, sorriso atraente. É, ele era atraente, não havia dúvidas. Carregava um saco imenso de ração em um braço e posso dizer que nunca vi alguém tão sedutor com ração nas mãos. Quase atrevi sussurrar-lhe um “au-au” ao pé do ouvido, mas acho que não seria um bom início. Quem sabe no quarto encontro.

Não sei se ele me notou, mas com certeza todo o meu corpo o percebeu.
Passada uma semana, ensaio à frente do espelho, mais uma vez, o que falar quando o vir. Para quem não namora há mais de um ano, treinar é sempre bom. Será que será uma má ideia antecipar o "au-au" afinal?

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