Amor platônico é para odorescentes (já reparou que eles todos têm perfumes muito peculiares?). Aos 15 anos, quando encontrava meu professor de física nos corredores ou o vizinho bad boy em sua motoca, suspirava. Não sabia que nunca os teria. Para mim tudo era possível (também pensava que poderia ser astronauta e presidente dos Estados Unidos, portanto...). E quem estava disposto realmente a contestar isso a uma jovem com coração apaixonado que ainda não sabia dos dissabores do mundo adulto?
James - que de Dean só tinha mesmo o nome - era o tal vizinho bad boy. Dividíamos apenas o muro de nossas casas, pois ele sequer sabia da existência da vizinha com rosto cheio de espinhas e 10 anos mais nova. O espiava da janela do meu quarto e as poucas vezes que conseguia vê-lo eram ouro para o recheio do meu diário. Diário que foi ficando inchado de tantas fotos tiradas (quase podia montar um quebra-cabeça, pois cada foto tirada às escondidas era um pedaço de nariz, da testa, das pernas que juntando mais dava um monstro que meu amor platônico) e declarações em papeis de carta.
No dia em que resolvi me declarar tomei banho com o perfume da minha mãe (o que provocou uma irritação ainda maior nas minhas colegas espinhas). Porém, aqueles segundos seguintes mudariam minha visão de relacionamentos. Antes de sair de casa a última espiada pela janela causou uma das maiores dores do alto dos meus 15 anos. Na garupa de James, uma bruxa com vestido roxo, verruga no nariz, cabelos quebrados e dentes faltando.
Ok, ela não era assim, mas essa foi a cena que preferi deixar em minha memória, então não contrariemos. E daquele dia em diante resolvi gostar só de quem gostasse de mim.
James - que de Dean só tinha mesmo o nome - era o tal vizinho bad boy. Dividíamos apenas o muro de nossas casas, pois ele sequer sabia da existência da vizinha com rosto cheio de espinhas e 10 anos mais nova. O espiava da janela do meu quarto e as poucas vezes que conseguia vê-lo eram ouro para o recheio do meu diário. Diário que foi ficando inchado de tantas fotos tiradas (quase podia montar um quebra-cabeça, pois cada foto tirada às escondidas era um pedaço de nariz, da testa, das pernas que juntando mais dava um monstro que meu amor platônico) e declarações em papeis de carta.
No dia em que resolvi me declarar tomei banho com o perfume da minha mãe (o que provocou uma irritação ainda maior nas minhas colegas espinhas). Porém, aqueles segundos seguintes mudariam minha visão de relacionamentos. Antes de sair de casa a última espiada pela janela causou uma das maiores dores do alto dos meus 15 anos. Na garupa de James, uma bruxa com vestido roxo, verruga no nariz, cabelos quebrados e dentes faltando.
Ok, ela não era assim, mas essa foi a cena que preferi deixar em minha memória, então não contrariemos. E daquele dia em diante resolvi gostar só de quem gostasse de mim.
Quem disse que aprendemos com a dor pode até estar certo, mas nunca falou a verdade sobre a teimosia humana. Mesmo sofrendo, e 15 anos passados, ainda me vejo como a menina de 15 anos que acredita em certos errados como meus falecidos ex-namorados. Tudo bem, não tenho mais tantas espinhas, mas continuo a apostar em erros achando serem acertos.
Quem sabe daqui a alguns anos consiga acertar finalmente e encontrar um verdadeiro amor correspondido. Só espero que até lá ainda haja partidos disponíveis (e que consigam ainda amarrar o calçado do tênis ou lembrar do próprio nome).
Quem sabe daqui a alguns anos consiga acertar finalmente e encontrar um verdadeiro amor correspondido. Só espero que até lá ainda haja partidos disponíveis (e que consigam ainda amarrar o calçado do tênis ou lembrar do próprio nome).
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