sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sabemos que chegamos aos 30 quando...

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Meias de contenção para evitar as veias quebradas não são mais tão feias.
A prima de oito anos desconhece Sandy e Júnior (tudo bem, não perde muito, mas...)
Começamos a encolher a barriga para tirar foto.
Nosso nome principal cai para segundo, após um terrível “Senhora”.
Não conseguimos sugerir mais que uma caminhada no parque como exercício.
Saídas só entre 20h e 23h e somente para cinema, teatro ou qualquer outro lugar que se possa sentar.
Batemos negativamente a cabeça quando vimos uma amiga suspirar pelo cara perfeito. Ah, já passamos por isso.
Trocamos baladas e rock progressivo por baladinhas na Antena 1 e pijama e sorvete na cama na sexta à noite.
Morremos de malhar em uma hora inteira de academia e não emagrecemos nem 100 gramas.
Sorrimos felizes da vida quando recebemos cantada de um homem dois anos mais novo (ou que achamos ser mais novo, ou fingimos ser).
Andamos de regata só às terças, sextas e domingo. Dias após a academia.
Conhecemos toda a linha de anti-rugas (não usamos, mas é sempre bom ter uma carta na manga).
Sabemos indicar remédios para cansaço, estresse e dor em qualquer lugar que se imagine.
Homens não são mais incógnitas, nem inimigos, mas não tanto amigos.
Nosso coração já sabe amar. Ou pensa que sabe. Ou quer saber...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Platão me deve uma

Amor platônico é para odorescentes (já reparou que eles todos têm perfumes muito peculiares?). Aos 15 anos, quando encontrava meu professor de física nos corredores ou o vizinho bad boy em sua motoca, suspirava. Não sabia que nunca os teria. Para mim tudo era possível (também pensava que poderia ser astronauta e presidente dos Estados Unidos, portanto...). E quem estava disposto realmente a contestar isso a uma jovem com coração apaixonado que ainda não sabia dos dissabores do mundo adulto?

James - que de Dean só tinha mesmo o nome -  era o tal vizinho bad boy. Dividíamos apenas o muro de nossas casas, pois ele sequer sabia da existência da vizinha com rosto cheio de espinhas e 10 anos mais nova. O espiava da janela do meu quarto e as poucas vezes que conseguia vê-lo eram ouro para o recheio do meu diário. Diário que foi ficando inchado de tantas fotos tiradas (quase podia montar um quebra-cabeça, pois cada foto tirada às escondidas era um pedaço de nariz, da testa, das pernas que juntando mais dava um monstro que meu amor platônico) e declarações em papeis de carta.

No dia em que resolvi me declarar tomei banho com o perfume da minha mãe (o que provocou uma irritação ainda maior nas minhas colegas espinhas). Porém, aqueles segundos seguintes mudariam minha visão de relacionamentos. Antes de sair de casa a última espiada pela janela causou uma das maiores dores do alto dos meus 15 anos. Na garupa de James, uma bruxa com vestido roxo, verruga no nariz, cabelos quebrados e dentes faltando. 

Ok, ela não era assim, mas essa foi a cena que preferi deixar em minha memória, então não contrariemos. E daquele dia em diante resolvi gostar só de quem gostasse de mim.
   
Quem disse que aprendemos com a dor pode até estar certo, mas nunca falou a verdade sobre a teimosia humana. Mesmo sofrendo, e 15 anos passados, ainda me vejo como a menina de 15 anos que acredita em certos errados como meus falecidos ex-namorados. Tudo bem, não tenho mais tantas espinhas, mas continuo a apostar em erros achando serem acertos. 

Quem sabe daqui a alguns anos consiga acertar finalmente e encontrar um verdadeiro amor correspondido. Só espero que até lá ainda haja partidos disponíveis (e que consigam ainda amarrar o calçado do tênis ou lembrar do próprio nome).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Post-it dia 21

Post-it para colar na geladeira: Nunca mais misturar a dieta da beterraba com a do limão. Preferir emagrecer com o estômago no lugar do que vê-lo se misturando com órgãos que nem estão a seu alcance! 

Post-it para banheiro: Comprar um perfume mais potente!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Estado civil: feliz!

Você tem que casar logo, já chegou aos 30! Com que idade vai ter filhos? Como vai conseguir se abaixar para brincar com eles? Como irá carregá-los de um lado para outro? Ok, pode parar! Serei uma mãe ou um elástico ambulante? Recado para mim mesma (RPMM): relembrar esse instante no gravador (RPMM 2): Na próxima vez que for convidada para uma festa de família escutar a gravação e entender que não sou uma má pessoa ao não querer participar de certos eventos familiares.

Minha família é ótima, principalmente quando não me olha nem faz de mim o centro das atenções. Sabe aquela penca de tios infelizes, mas casados, de primos entristecidos, mas casados (tirando a Debby que exala uma perfeição por todos os poros e fios de cabelo) e de avós e tios-avós que ou se preocupam muito com meu futuro ou apenas querem mais um sobrinho para engordar como leitão. Minha mãe... Bem, saiu a cópia de todos os demais, mas sei que só quer o meu bem e um bem para mim. Já meu querido pai se omite de tudo e de todos (no fundo é o mais feliz).

Chegar em festa de família desacompanhada é o mesmo que ter um holofote em mãos e berrar: - Ei, olhem para mim, estou solteira aos 30 anos.  (Suspiro).Todo convite que minha mãe me faz penso em recusar, mas o coração mole fala mais alto. Na próxima amarro o coração e ele fica durinho. Melhor que estar como agora, rodeada por todos questionando porque ainda estou solteira.

Primeiro, por que devo explicações a alguém sobre meu estado civil? Segundo, não é porque estou assim há algum tempo que vou me casar com o primeiro que minha tia Rita apresenta (e olhe que até o S. Alfredo de 70 anos já esteve na fila). Estado civil? feliz e pronto! Essa é minha resposta oficial de agora em diante. Aliás, até acho que poderiam acrescentar essa opção nos questionários de empresas, lojas. Por que não? Estado civil: FELIZ! E ainda desenho uma carinha na frente para reforçar.

Claro que gostaria de ter encontrado meu grande amor, mas a culpa é minha se meu cupido é lerdo ou míope? Prefiro segurar uma placa de solteira aos 30 do que entrar de mãos dadas novamente com alguém como o Beto, cof, cof, Roberto, nada de Beto, Roberto! O falecido, melhor dizendo. Ao final das festas não eram eles os trocados ao cair da noite mesmo. Quem disse que é bom ter boa memória? PMM 3: Parar de comer amendoim!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Peixe pra que te quero!

Qual o twitter do seu peixinho? Sua comunidade tem dono? Há meia hora em frente ao espelho tentava treinar a minha pontaria em cantadas, mas já há algum tempo sozinha acho que havia me enferrujado um pouco além do desejável.

Desde que vi aquele Deus grego na loja de comidas para animais (tudo bem, o cenário não era nenhum conto de fadas, mas pelo menos estava limpinho aquele dia) pensava numa estratégia para me aproximar dele, já que o fracasso da última vez nem merecia lembrança.

Saí atrasada do trabalho onde a minha querida e excêntrica chefe berrava com a manchete da matéria da colega (alguém precisa avisá-la que se todas as jornalistas dela ficarem surdas ou insanas, terão mais dificuldade ainda de cumprir o dead line). Espremida no vagão do metrô, entre um gigante de mais de 2m e um casaco ambulante (parecia ter vida com a idade aparente em cada perceptível pedaço que caía e o odor que exalava), listava em mente tudo que ainda tinha que fazer no dia: pegar o carro na oficina (já é sócio), terminar matéria sobre Mulheres em crise de idade (!), alimentar o peixe – oh, não!

Phillipe, meu peixinho, sempre foi exigente com comidas. Acho até que é genético, pois o que se sabe da mãe é que era de descendência francesa (alguns diziam até que fazia biquinho na hora de comer). Ele não aceitava nada de rações de segunda ou de água suja em seu aquário. Juro que sempre que o tentei enganar com uma comida mais barata o vi me observando com um olhar a la Kil Bill. Mas fazer o quê, gostava do bichinho então lá ia mais uma vez à loja careira da esquina.

Mas confesso que nunca gostei tanto do meu peixe e de seu gosto fresco quanto aquele dia. Mal entrei na loja me deparei com aquele ser alto, com olhos atraentes, boca atraente, postura atraente, sorriso atraente. É, ele era atraente, não havia dúvidas. Carregava um saco imenso de ração em um braço e posso dizer que nunca vi alguém tão sedutor com ração nas mãos. Quase atrevi sussurrar-lhe um “au-au” ao pé do ouvido, mas acho que não seria um bom início. Quem sabe no quarto encontro.

Não sei se ele me notou, mas com certeza todo o meu corpo o percebeu.
Passada uma semana, ensaio à frente do espelho, mais uma vez, o que falar quando o vir. Para quem não namora há mais de um ano, treinar é sempre bom. Será que será uma má ideia antecipar o "au-au" afinal?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...Salada mista

Ela sorriu para mim! Não, ela não sorriu para mim, ela sorriu de mim! O que foi isso, uma risada sarcástica? Juro que até ouviu uma gargalhada ecoando. Afinal, qual o problema dessas balanças de farmácia? Parece até que têm vida - e a vivenciam muito bem sorrindo dos nossos pesos a mais.

Mais uma vez estou cercada por mil receitas de dietas malucas para ver se meus quilos largam de mim e ocupam um corpo vizinho. Já falei que não tenho talento para boa samaritana de quilos nem para militante a favor de ocupação de gordura, mas eles são persistentes e não desocupam meu corpinho.

Sempre tive tendência para engordar. Nada do tipo exagerado, mas nem perto do mignon, talvez mais para uma picanha. Porém ao chegar aos 30 anos parece que o metabolismo passa os dias se espreguiçando numa rede.

Passo o dia regulando até as balinhas ingeridas (bala soft é uma boa pedida, mas cuidado para não engasgar), me esforçando naquela sala de sadomasoquismo (chamada também de academia de ginástica) e o metabolismo nessa demora para trabalhar! Que funcionário mais ineficiente!

Enquanto isso sigo na dieta da pêra, da maçã, melancia, chuchu, beterraba, coco. Ao final dessa salada ou saio colorida e mais nutrida ou serei mais uma da lista das mulheres frutas.Que tal uma Jaca com refrescância de hortelã ?(chiclete engana o estômago que é uma beleza).

domingo, 17 de outubro de 2010

Quando chegasse aos 30 anos....

Quando tinha oito anos escrevi num papelzinho como estaria nessa idade: casada com um príncipe apaixonante, com topete do Elvis (meu gosto musical sempre foi precoce), com três filhos, mas sem sinais de idade, de pernas para o ar, apenas aproveitando a piscina de dinheiro, morando em uma mansão com lindos carros. Era uma menina de boas intenções, mas de boas intenções meu futuro estava cheio e bem distante da realidade do papelzinho.

Cheguei aos 30. Encontrei muitos sapos na minha vida, mas nenhum príncipe. Não tenho filhos. Bem, se considerarem o meu peixe Phillipe, tenho um, é verdade. Não nado em piscina de dinheiro. Na verdade por conta das celulites gritantes, não nado nem em piscina infantil há uns seis anos. Pernas para o ar parece mais a definição da minha vida em época de fechamento da revista onde trabalho.

Tenho um carro popular sem ar-condicionado, mas moro na Mansão! Num condomínio chamado Mansão dos Sonhos. “Apartamentos pequenos, mas cheio de sentimentos”, era o slogan do aluguel. Até hoje procuro os sentimentos que devem estar perdidos em algumas das caixas amontoadas pelos corredores ou na boca do Ossudo – um cão sarnento que serve de vigia à noite (mais dorme do que vigia, mas fazemos isso pela autoestima dele).

No meu próximo papelzinho para daqui a dez anos estará escrito: Acompanhada (sem detalhes limitadores) por um homem respeitador, não necessariamente careca, mas não precisa ter a cabeça toda coberta, com sobrinhos visitando nos finais de semana, morando em um apartamento de mais de três cômodos, com carro que tenha ar-condicionado e finalmente voltando ao banho de piscina, pelo menos usando um maiô preto.

Menos ambiciosa, é verdade, mas pelo menos não sofrerei tanto quando vir o Ossudo de vigia na minha frente de novo na próxima década.