Parada no parque, me deliciando às escondidas (fugia da balança de casa com seus olhos de ironia) com um pote de sorvete de chocolate, notei outro dia um casal de idosos, no alto de seus 80 anos. Parados frente a frente em um café, sorriam e contemplavam-se como se houvessem se conhecido há pouco. Pareciam ignorar a aliança que os marcavam há anos e que poderia supor a ambos que não houvesse mais nada a ser descoberto um para o outro.
Enquanto falavam com os olhos, sorriam com todo o corpo como a se entregarem somente àquele instante, àquele momento de doçura e admiração. Olhavam-se diretamente e porque olhavam-se tudo parecia completo, num êxtase de amor, respeito e união. Pausavam apenas para que o tato de suas mãos aproximassem ainda mais seus corações.
Enquanto falavam com os olhos, sorriam com todo o corpo como a se entregarem somente àquele instante, àquele momento de doçura e admiração. Olhavam-se diretamente e porque olhavam-se tudo parecia completo, num êxtase de amor, respeito e união. Pausavam apenas para que o tato de suas mãos aproximassem ainda mais seus corações.
Os cinco minutos que se seguiram demonstraram a capacidade de lermos o outro e de sermos lidos por inteiro. Não um mero capítulo, não somente um prefácio de nós mesmos, mas a degustação de cada palavra, cada pontuação, cada frase que nos constrói. Naquele instante dediquei meu livro ainda manchado de chocolate e com páginas em branco àquele casal que me fez esperar por quem me leia um dia, sem lupas, sem luvas e que chore, sorria, lute comigo a cada dia.

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